terça-feira, 10 de setembro de 2013

Nua e crua

Cara inchada,
narinas e olhos avermelhados.
É que tristeza tem os mesmos
sintomas de um resfriado.
É fácil ficar triste no anonimato.
Só que já não quero enganar mais ninguém.

-Olga Helena

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Migalha


Se esta noite eu pudesse falar
em uma palavra, diria: Farelo.

Bem fareladinho.
Farinha, açúcar de
confeiteiro. Polvilho.

Se com outra, pudesse complementar,
faria verso para: Estridente.

Bem aguçado.
Travado.
Como mascar
sabão.

Mas como palavra única não
Basta. E versos não se
encaixam agora,
vou jogar confete e enfeitar a
cara da lua. Falar a verdade
também nunca foi o meu forte.

A noite foi boa.

- Olga Helena

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Entre vértices e lados



Os sentimentos se encontram
na forma que permite voltas. Idas e
vindas infinitas, inscritas

em um formato que remete
á perfeição. Três vértices,
criatura que possui, também,

três lados. Em meio ao caos
causado pelo sentir,
mora o ponto de equilíbrio. Aquilo que

mantém todo ser humano
integrado. Confusão esférica que em
seu centro possui a paz e, sem ela,

nada. Apenas os pensamentos permitem
alcançá-la. Uma paz parecida com
a lua de hoje. Linda, cercada de nuvens

tão calmas quanto envolventes. Lua marcante,
fácil e desprendida, que se disponibiliza para
o olhar de qualquer criatura três vértices.

- Olga Helena

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Incômodo




Coisa que me incomoda tanto...
Insano? Não. Acredito que não.
É comum até. Não há nada de
excitante no que sinto.

Incômodo egoísta, impaciente.
Chega a ser desrespeitoso.
Mas pra quem? Estou farto de tanta regra; de tanto rótulo; de tanta moralidade incitando culpa;
De tanto medo querendo esfriar o que já é morno; e fazer morno o que ainda ferve. É tanta palavra sem lugar.
É tanta falta de criatividade...

Eu só quero passar e compreender no caminho. Convivo com meus erros tranquilamente. Não os acaricio, mas os dou a oportunidade de se defenderem.
Afinal, se não eu, quem o fará?

Então deixe-os aqui comigo mesmo.
Esses meus defeitos são docemente próprios; a medida de cada parte compositora é minha exclusividade.

Olha só, como sou importante. Um nada, um bosta; mas só existo nas minhas condições adequadas. Não muito diferente de uma reação química.

E não é todo ser humano assim?
Meu sentimento é universal.
É meu mas não pertence a mim.

- Olga Helena

sábado, 8 de setembro de 2012

Despedida



Tinha.
Não havia nada,
e sim tinha.
Mas não via.
E pela via andava
e dava
a quem quer queria
o que quer que
tinha em sua sacola.
Mas nem via tinha.

Nada.
Não era nada,
e era tudo e nem
a nado era.
Mergulhava,
e ia fundo
desbravava o mundo
que havia em si.

Sim,
agora a via,
e despedia daquele
olhar.
Fundo, tão fundo
era; um mar.
Deixava-o agora
junto à praia;
o seu lugar.

Agora leve,
solto andava -
tendo ou não
via. Se banhava
sem preocupar com
a hora e sorria junto
à sua sacola de sonho.

- Olga Helena

Mulher Louca



Beija a boca e
Escarra os lábios
melosos.

Grita a alma
e envenena, pequena.
Amar...
Acalma, vai passar.

Nem você agrada
teu ser assim.
Quanto à mim...
Te dou um
conselho...

Escuta teu peito
quando o tem ao teu lado.
Não quer dissipar
o que do dele vai ouvir...

Acalma teu corpo.
Solta tua alma.
Volta.
Não há louca em ti que não queira.
Cultive todas, sem provar do veneno.

- Olga Helena

Ego



Cara lavada,
Borrada, estranha.
Da medo te olhar.

Teus olhos me vigiam.
Marcam as cartas das
Nossas expressões.

Não me encanta, nem
Me agrada; Incomoda.
Provoca, até a culpa
tomar minhas veias,
que levam às torneiras
o pulsar dessa dor.

Transcende o orgânico.
Pelos poros me mostra
quem não quer olhar...
Objeto cruel!
Como viseira, é o véu
que me fez enxergar.

- Olga Helena