quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Migalha


Se esta noite eu pudesse falar
em uma palavra, diria: Farelo.

Bem fareladinho.
Farinha, açúcar de
confeiteiro. Polvilho.

Se com outra, pudesse complementar,
faria verso para: Estridente.

Bem aguçado.
Travado.
Como mascar
sabão.

Mas como palavra única não
Basta. E versos não se
encaixam agora,
vou jogar confete e enfeitar a
cara da lua. Falar a verdade
também nunca foi o meu forte.

A noite foi boa.

- Olga Helena

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Entre vértices e lados



Os sentimentos se encontram
na forma que permite voltas. Idas e
vindas infinitas, inscritas

em um formato que remete
á perfeição. Três vértices,
criatura que possui, também,

três lados. Em meio ao caos
causado pelo sentir,
mora o ponto de equilíbrio. Aquilo que

mantém todo ser humano
integrado. Confusão esférica que em
seu centro possui a paz e, sem ela,

nada. Apenas os pensamentos permitem
alcançá-la. Uma paz parecida com
a lua de hoje. Linda, cercada de nuvens

tão calmas quanto envolventes. Lua marcante,
fácil e desprendida, que se disponibiliza para
o olhar de qualquer criatura três vértices.

- Olga Helena

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Incômodo




Coisa que me incomoda tanto...
Insano? Não. Acredito que não.
É comum até. Não há nada de
excitante no que sinto.

Incômodo egoísta, impaciente.
Chega a ser desrespeitoso.
Mas pra quem? Estou farto de tanta regra; de tanto rótulo; de tanta moralidade incitando culpa;
De tanto medo querendo esfriar o que já é morno; e fazer morno o que ainda ferve. É tanta palavra sem lugar.
É tanta falta de criatividade...

Eu só quero passar e compreender no caminho. Convivo com meus erros tranquilamente. Não os acaricio, mas os dou a oportunidade de se defenderem.
Afinal, se não eu, quem o fará?

Então deixe-os aqui comigo mesmo.
Esses meus defeitos são docemente próprios; a medida de cada parte compositora é minha exclusividade.

Olha só, como sou importante. Um nada, um bosta; mas só existo nas minhas condições adequadas. Não muito diferente de uma reação química.

E não é todo ser humano assim?
Meu sentimento é universal.
É meu mas não pertence a mim.

- Olga Helena

sábado, 8 de setembro de 2012

Despedida



Tinha.
Não havia nada,
e sim tinha.
Mas não via.
E pela via andava
e dava
a quem quer queria
o que quer que
tinha em sua sacola.
Mas nem via tinha.

Nada.
Não era nada,
e era tudo e nem
a nado era.
Mergulhava,
e ia fundo
desbravava o mundo
que havia em si.

Sim,
agora a via,
e despedia daquele
olhar.
Fundo, tão fundo
era; um mar.
Deixava-o agora
junto à praia;
o seu lugar.

Agora leve,
solto andava -
tendo ou não
via. Se banhava
sem preocupar com
a hora e sorria junto
à sua sacola de sonho.

- Olga Helena

Mulher Louca



Beija a boca e
Escarra os lábios
melosos.

Grita a alma
e envenena, pequena.
Amar...
Acalma, vai passar.

Nem você agrada
teu ser assim.
Quanto à mim...
Te dou um
conselho...

Escuta teu peito
quando o tem ao teu lado.
Não quer dissipar
o que do dele vai ouvir...

Acalma teu corpo.
Solta tua alma.
Volta.
Não há louca em ti que não queira.
Cultive todas, sem provar do veneno.

- Olga Helena

Ego



Cara lavada,
Borrada, estranha.
Da medo te olhar.

Teus olhos me vigiam.
Marcam as cartas das
Nossas expressões.

Não me encanta, nem
Me agrada; Incomoda.
Provoca, até a culpa
tomar minhas veias,
que levam às torneiras
o pulsar dessa dor.

Transcende o orgânico.
Pelos poros me mostra
quem não quer olhar...
Objeto cruel!
Como viseira, é o véu
que me fez enxergar.

- Olga Helena

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Tempus Fugit


Fugi ao te escutar
dama do vestido florido.
Não tua prata pendurada,
mas sim tuas palavras
cuidaram de me levar.

Fui longe hoje sim.
Cavei, ousadamente,
kilometros em rumo
ao núcleo meu.
Não cheguei a me queimar.

Foi belo rastejar,
extrair daquela massa
as rochas,
usadas para marcar
esta folha e outras mais.

Foi belo transformar em
mar de letras o que
podia me cortar.

- Olga Helena

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Encontro

Numa caminhada qualquer pelas ruas do centro, coisas acontecem.
Hoje por exemplo. Ao fazer o trajeto conhecido, e parando onde tinha planejado, algo nada esperado aconteceu.
Encontrei alguém que conheço. Ou não. Ainda tenho dúvida.
O interessante é que conhecendo ou não. Ao me ver, sorriu, e exclamou, "Flor ! ".
A naturalidade me encantou. Era incomum. Tinha um estilo alternativo. Doce. Me disse que somente me encontrava por entre as ruas da cidade. E eu meio perdida, envolvida, respondi
"pois é". Não tinha ideia. Mas a energia era tão pura...
O encontro foi curto. Trocamos palavras, comentamos o carnaval, os estudos, a vida em geral. Nos despedimos.
Conversava sorrindo...
A alma sorria...
Era leve.
Sua energia permaneceu em mim. A simplicidade e simpatia me somaram muito mais do que ele possa imaginar.
A felicidade estava tão perto de mim que derramou sobre meus olhos, que ficaram escandalosamente mais vivos.
Um momento registrado em mim, daqueles dos quais os minutos pertencem ao infinito.

- Olga Helena

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Rotina.

O cansaço, na verdade, traz a satisfação de tempo gasto de maneira proveitosa. O cansaço que sinto agora tem ponta de prazer.
Enquanto estamos na segurança da rotina, busquemos a paz e leveza do cotidiano. O cotidiano é muito mais dinâmico do que parece aos olhos. Observando, conseguimos a evasão que tanto gosta a nossa mente.
Que o momento vivido seja produtivo. E que o cansaço seja a dica de que não estamos estagnados.

Just a thought.