segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Entre vértices e lados



Os sentimentos se encontram
na forma que permite voltas. Idas e
vindas infinitas, inscritas

em um formato que remete
á perfeição. Três vértices,
criatura que possui, também,

três lados. Em meio ao caos
causado pelo sentir,
mora o ponto de equilíbrio. Aquilo que

mantém todo ser humano
integrado. Confusão esférica que em
seu centro possui a paz e, sem ela,

nada. Apenas os pensamentos permitem
alcançá-la. Uma paz parecida com
a lua de hoje. Linda, cercada de nuvens

tão calmas quanto envolventes. Lua marcante,
fácil e desprendida, que se disponibiliza para
o olhar de qualquer criatura três vértices.

- Olga Helena

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Incômodo




Coisa que me incomoda tanto...
Insano? Não. Acredito que não.
É comum até. Não há nada de
excitante no que sinto.

Incômodo egoísta, impaciente.
Chega a ser desrespeitoso.
Mas pra quem? Estou farto de tanta regra; de tanto rótulo; de tanta moralidade incitando culpa;
De tanto medo querendo esfriar o que já é morno; e fazer morno o que ainda ferve. É tanta palavra sem lugar.
É tanta falta de criatividade...

Eu só quero passar e compreender no caminho. Convivo com meus erros tranquilamente. Não os acaricio, mas os dou a oportunidade de se defenderem.
Afinal, se não eu, quem o fará?

Então deixe-os aqui comigo mesmo.
Esses meus defeitos são docemente próprios; a medida de cada parte compositora é minha exclusividade.

Olha só, como sou importante. Um nada, um bosta; mas só existo nas minhas condições adequadas. Não muito diferente de uma reação química.

E não é todo ser humano assim?
Meu sentimento é universal.
É meu mas não pertence a mim.

- Olga Helena

sábado, 8 de setembro de 2012

Despedida



Tinha.
Não havia nada,
e sim tinha.
Mas não via.
E pela via andava
e dava
a quem quer queria
o que quer que
tinha em sua sacola.
Mas nem via tinha.

Nada.
Não era nada,
e era tudo e nem
a nado era.
Mergulhava,
e ia fundo
desbravava o mundo
que havia em si.

Sim,
agora a via,
e despedia daquele
olhar.
Fundo, tão fundo
era; um mar.
Deixava-o agora
junto à praia;
o seu lugar.

Agora leve,
solto andava -
tendo ou não
via. Se banhava
sem preocupar com
a hora e sorria junto
à sua sacola de sonho.

- Olga Helena

Mulher Louca



Beija a boca e
Escarra os lábios
melosos.

Grita a alma
e envenena, pequena.
Amar...
Acalma, vai passar.

Nem você agrada
teu ser assim.
Quanto à mim...
Te dou um
conselho...

Escuta teu peito
quando o tem ao teu lado.
Não quer dissipar
o que do dele vai ouvir...

Acalma teu corpo.
Solta tua alma.
Volta.
Não há louca em ti que não queira.
Cultive todas, sem provar do veneno.

- Olga Helena

Ego



Cara lavada,
Borrada, estranha.
Da medo te olhar.

Teus olhos me vigiam.
Marcam as cartas das
Nossas expressões.

Não me encanta, nem
Me agrada; Incomoda.
Provoca, até a culpa
tomar minhas veias,
que levam às torneiras
o pulsar dessa dor.

Transcende o orgânico.
Pelos poros me mostra
quem não quer olhar...
Objeto cruel!
Como viseira, é o véu
que me fez enxergar.

- Olga Helena

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Tempus Fugit


Fugi ao te escutar
dama do vestido florido.
Não tua prata pendurada,
mas sim tuas palavras
cuidaram de me levar.

Fui longe hoje sim.
Cavei, ousadamente,
kilometros em rumo
ao núcleo meu.
Não cheguei a me queimar.

Foi belo rastejar,
extrair daquela massa
as rochas,
usadas para marcar
esta folha e outras mais.

Foi belo transformar em
mar de letras o que
podia me cortar.

- Olga Helena